Introdução
O período Gótico (século XII ao XV) marca uma das transições mais profundas na história da arquitetura ocidental. Enquanto o estilo Românico era definido pela massa e pela solidez das "igrejas-fortaleza", o Gótico surge como uma busca audaciosa pela verticalidade e pela luz. Não se trata apenas de uma mudança estética, mas de uma revolução na engenharia estrutural que permitiu às catedrais alcançarem alturas antes inimagináveis, desafiando a gravidade.
1. O Sistema Estrutural: A Tríade Gótica
Diferente dos estilos anteriores, o Gótico utiliza um sistema de "esqueleto" onde as cargas não são suportadas por paredes contínuas, mas direcionadas para pontos específicos. Isso é possível graças a três elementos técnicos fundamentais:
Arco Ogival (ou Apontado): Ao contrário do arco de volta inteira (semicircular), o arco ogival reduz o empuxo lateral, direcionando o peso da estrutura de forma mais vertical para o chão.
Abóbada de Nervuras: Uma evolução da abóbada de aresta, onde "nervuras" de pedra formam uma estrutura cruzada que sustenta o teto. Isso permite que o preenchimento entre as nervuras seja muito mais leve.
Arcobotante: O elemento mais revolucionário. São apoios externos em forma de arco que recebem a pressão lateral das abóbadas superiores e a transferem para os contrafortes externos. Isso liberou as paredes da função de suporte.
2. A Desmaterialização da Parede e a Teologia da Luz
Com o sistema de arcobotantes sustentando o peso, as paredes deixaram de ser grossas e pesadas, permitindo uma mudança conceitual na arquitetura:
Abertura de Grandes Vãos: As paredes foram substituídas por imensos vitrais coloridos que narravam histórias bíblicas.
Lux Nova (Luz Nova): Na filosofia da época (Abade Suger), a luz que atravessava os vitrais simbolizava a própria divindade penetrando no espaço sagrado.
Verticalidade Extrema: Cada elemento — das colunas finas que sobem sem interrupção até as agulhas externas — foi desenhado para guiar o olhar do fiel em direção ao céu.
3. Elementos Decorativos e Simbólicos
A fachada gótica é um exemplo de geometria e proporção:
Rosáceas: Janelas circulares monumentais que simbolizam a perfeição, geralmente localizadas acima dos portais principais.
Portais Esculpidos: Entradas profundas (reentrâncias) repletas de estátuas de profetas e santos, servindo como uma "Bíblia de pedra" para os fiéis.
Gárgulas e Quimeras: Esculturas que, além da função prática de escoar a água da chuva, tinham o simbolismo de afastar os maus espíritos.





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